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Diário RS - Legislativo

tempo, concedo a palavra ao deputado Ze Nunes.

O SR. ZE NUNES (PT)  Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Comeco minha manifestacao mandando um recado ao presidente Bolsonaro, dizendo-lhe o
seguinte: presidente Bolsonaro, ditadura e tortura nunca mais!

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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de abril de 2019.

PRO 104

Tem sido uma catastrofe e uma tragedia as ultimas agendas, as ultimas pautas do presidente da
Republica, que saltam aos olhos da Nacao e que provocam perplexidade entre muitos que votaram no Sr.
Bolsonaro.
Nao tivemos eleitores que votaram em Bolsonaro somente por serem radicais da extrema direita.
Votaram nele pessoas de todas as classes sociais, democratas que acreditavam que aqueles ataques de
proverbios eram somente palavras largadas ao vento. Mas todas elas  eu sempre soube disto  tinham um
profundo significado, arraigado na personalidade e na historia do cidadao Bolsonaro. Certamente, essas
pessoas estao perplexas com o desempenho e com os aspectos negativos, ruins, da pauta do atual presidente.
O presidente foi aos Estados Unidos, na semana passada, e causou vergonha a todo o povo
brasileiro. Falou mal do nosso povo, se humilhou, rastejou, fez negocios terriveis para o nosso Pais, e a
midia americana o definiu como puxa-saco do presidente Trump. Foi esse o resumo da midia americana.
Pois bem, o presidente voltou ao Brasil, foi imediatamente ao Congresso Nacional e apresentou um
projeto de reforma da previdencia dos militares, que e a preservacao de seus privilegios, em contraponto ao
sacrificio, ao peso nas costas dos trabalhadores brasileiros, dos mais pobres, a quem o presidente quer impor
essa famigerada reforma, que de reforma nao tem nada. E a liquidacao da previdencia publica brasileira. O
sistema de capitalizacao nao e isso? E exatamente isso.
Logo em seguida, o presidente foi ao Chile, onde provocou um verdadeiro constrangimento ao
presidente Pinera. Fez elogios e referencias positivas ao Pinochet, quando a maioria do povo chileno
condena aquela ditadura sanguinaria. Pois ele foi la e fez apologia aquela ditadura.
O presidente Pinera declarou a imprensa que nao concorda com o que disse o presidente Bolsonaro,
que discorda profundamente das suas opinioes. Disse que tinham sido muito infelizes as declaracoes dadas
pelo presidente.
Terminada a viagem ao Chile, o presidente voltou e ordenou ao Palacio do Planalto que enseje
comemoracoes aquela que foi uma data tragica para a historia brasileira, quando se matou a inteligencia
brasileira, quando se expulsou brasileiros.
Aqui, veio um deputado dizer que nao houve nenhum presidente daquele periodo condenado. Sim,
como iam condenar o presidente? Se alguem falava mal do presidente, era morto, assassinado, como foram
mortas tantas liderancas politicas. A inteligencia do Brasil foi embora do Pais, e a truculencia e o atraso
produziram a maior crise.
Eu vivi a crise da ditadura. Sou fruto dela. Passei fome praticamente no tempo da ditadura,
deputado Tiago Simon. Viviamos uma situacao que em nada se compara a que vivemos hoje, diante da
qualidade de vida das pessoas.
Fizeram a divida brasileira. Roubaram, sim. Roubaram muito, so que ninguem podia apontar nada,
porque tres pessoas nao podiam conversar livremente na rua depois de um certo horario. Nao havia debate,
porque matavam as pessoas. Essa foi a ditadura militar brasileira, da qual o povo nao quis saber.
Muitos votaram no Bolsonaro, porque estavam entediados com a politica. Mas tenho a conviccao
de que o povo brasileiro esta se decepcionando rapidamente, deputado Tiago Simon, esta se dando conta da
face perversa desse candidato que fez apologia a tortura e a ditadura.
Que moral tem o presidente Bolsonaro para falar da Venezuela, vir falar na palavra democracia,
quando faz apologia a ditatura, a tortura e vai comemorar a data tragica da historia brasileira, que foi aquele

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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de abril de 2019.

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golpe de 64? O presidente nao tem legitimidade nem moral para falar em democracia, pois e autoritario,
adepto dos regimes autoritarios. Nao tem moral nenhuma para fazer qualquer referencia a Venezuela,
porque o presidente nao e um democrata.
Entao, presidente Bolsonaro, o senhor nao representa boa parte do povo brasileiro, que defende a
democracia. (Nao revisado pelo orador.)

A SRA. PRESIDENTE ZILA BREITENBACH (PSDB)  A proxima inscricao pertence ao
deputado Sebastiao Melo, a quem concedo a palavra.

O SR. SEBASTIAO MELO (MDB)  Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Saudo os que nos assistem pela TV Assembleia.
Primeiro, quero fazer um registro dos 247 anos da nossa querida e amada Porto Alegre, cidade
impar, acolhedora. Adotei essa cidade, a qual me adotou. Sao 40 anos de convivencia.
Gostaria de deixar registrado que, na verdade, viver numa cidade e muito mais do que morar num
lugar: e ter um pertencimento dela, e cuidar de cada pedaco do chao com muito carinho, como se fosse o
quintal da sua casa.
Por isso, fica aqui o registro. Penso que aniversario e dia de festa. Ha dificuldade, sim, mas essa
cidade e maravilhosa, tem um povo e, a seu tempo, a sua epoca, bravos homens e mulheres que ajudaram a
construir a sua historia.
Mas queria refletir um pouco sobre o tema que aqui varios colegas debateram, sobre o 31 de marco
de 1964.
Nao a ditadura da Uniao Sovietica, dos paises do Leste Europeu, da Venezuela, da China; nao ao
regime de tantas outras ditaduras de esquerda neste Pais, populistas. Mas tambem quero dizer o seguinte:
nao a ditadura militar que houve neste Pais.
Este Pais nao teve politicos cassados em 64, colegas deputados? O Congresso Nacional nao foi
fechado com a ditadura militar? Varias pessoas nao precisaram ser exiladas deste Pais pela ditadura militar?
Quantas pessoas morreram nas masmorras deste Pais? Eu podia lembrar varias, mas cito o grande Vladimir
Herzog, executado no DOI-CODI de Sao Paulo. Ou por acaso os porto-alegrenses e os eleitores das capitais
brasileiras podiam escolher os seus prefeitos durante a ditadura militar? Nao: eram nomeados, assim como
todos os governadores do Estado do Rio Grande do Sul e dos demais Estados brasileiros.
O habeas corpus, o instrumento mais importante da liberdade, foi cassado neste Pais.
Vamos fazer um debate maduro. Penso sinceramente, meus colegas deputados, que e hora de
passarmos por cima de qualquer discussao partidaria. Os democratas deste Pais devem cerrarem fileiras para
que nunca mais haja ditadura no Brasil, deputado Tiago Simon  o seu pai, com Ulysses e tantos outros
bravos brasileiros fizeram uma travessia dificil.
Sabe-se que todos os partidos estao vivendo uma crise partidaria, inclusive o nosso, mas fomos,
sim, naquela epoca, os fiadores de um processo de democracia neste Pais, que tem enormes problemas.

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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de abril de 2019.

PRO 106

E nao podem dizer que na ditadura nao houve miseria. Ou alguem nao se lembra do seu Delfim
Netto, que dizia que so podia distribuir o bolo quando o bolo crescesse? O bolo foi distribuido para os ricos
e nunca chegou aos pobres.
Ou por acaso essa divida bilionaria que o Pais paga, ainda hoje, nao tem a ver com a concepcao de
Angra 2, de Angra 3 e de tantas obras, como a Transamazonica, que nunca foram concluidas? Estou falando
de alguma inverdade desta tribuna? Desculpem, mas vamos tratar disso com mais seriedade.
Sou um democrata na essencia e respeito ate os excessos daqueles que se contradizem. Mas, por
favor, nao da para dizer que neste Pais nao houve uma ditadura.
Precisamos que a nossa jovem democracia cuide-se no seu dia a dia; precisamos de uma reforma
politica nao para os politicos, mas para podermos fortalecer a democracia e diminuir essa quantidade de
partidos politicos, que sao mais pontos comerciais do que qualquer outra coisa neste Pais.
O emprego e negocio. Nao ha mais, infelizmente, ideias neste Pais. Entao, diria que vivemos
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