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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Diario Oficial Poder Legislativo

comissoes

Comissao da Verdade colhe depoimentos
sobre quatro militantes politicos
Todos os casos abordados na reuniao foram de nascidos no Rio Grande do Norte

Milton Ramalho, Amelinha Teles, Roberto Monte, Adriano Diogo, Julio Zoe de Brito e Edvaldo Valdir de Medeiros
Da redacao  Foto: Mauricio Garcia

O presidente da Comissao Estadual da Verdade
Rubens Paiva, deputado Adriano Diogo (PT), afirmou,
na reuniao ocorrida na manha de 4/12, que a comissao
tem exercido um papel de protagonismo nas acoes que
buscam esclarecer a verdade dos fatos ocorridos durante
o governo militar. Temos em analise mais de 150 casos
e muitos nao sao de pessoas oriundas de Sao Paulo, mas
que sao objeto de investigacao, pois o centro da repressao
aqui estava instalado. Sao casos cobertos por nevoas que
precisam ser dissipadas, afirmou.
O primeiro caso a ser abordado foi o de Zoe Lucas
de Brito Filho, morto pelos agentes da repressao em
28/6/1972. Iniciou sua militancia no movimento estudantil
pernambucano, participando do Partido Comunista
Brasileiro Revolucionario (PCBR) e a partir 1969, da
Acao Libertadora Nacional (ALN). Quando foi preso em
31/3/1970, era professor de geografia. Depois de sete
meses preso, diante do cerco e das ameacas policiais,
mudou-se para Sao Paulo.
Tanto Edvaldo Valdir de Medeiros, primo de Zoe, e Milton
Ramalho, amigo, relataram que no dia anterior de sua
morte, o ex-militante da ALN estava tenso e preocupado
com a possibilidade de uma nova prisao. Segundo os
relatos, ele havia sido avisado de sua prisao iminente e
estaria preparando sua fuga para o exterior, mas foi preso
e executado pela repressao.

Pelos depoimentos colhidos na comissao, os agentes
da repressao pressionaram a familia para que concordasse
com a causa da morte como sendo por acidente. A familia,
diante da pressao, aceitou.
Para o pesquisador e secretario geral do Comite Estadual
pela Verdade, Memoria e Justica do Rio Grande do Norte,
Roberto Monte, o que se busca e que seja retificado o atestado
de obito, que conste a execucao pelas forcas da repressao e
que Zoe Lucas de Brito Filho passe a constar da lista de mortos
pelo regime militar, o que nao ocorreu ate hoje.
Outros casos
A comissao tambem abordou os casos de mais tres
nascidos no Rio Grande do Norte, Gerardo Magela
Fernandes Torres da Costa, Edson Neves Quaresma e Luiz
Ignacio Maranhao Filho. Gerardo era poeta e jornalista.
Estudante de medicina em Sorocaba, engajou-se no
movimento estudantil. Foi morto em 28/5/1973. Segundo
a versao oficial, Gerardo teria se suicidado, atirando-se do
Viaduto do Cha, centro de Sao Paulo.
O laudo necroscopico foi assinado por Otavio
DAndreia, legista da ditadura militar, responsavel por
inumeros laudos falsos de morte de prisioneiros politicos.
Paradoxalmente o laudo oficial nao registra, no cadaver de
Gerardo, nenhuma outra fratura ou mesmo escoriacoes,
provaveis em alguem caido de um viaduto. Gerardo teria
sido enterrado no cemiterio de Perus, em Sao Paulo com o
nome verdadeiro. Gerardo Magela nao consta da relacao

oficial de mortos e desaparecidos politicos do Brasil.
Marinheiro e advogado desaparecido
O terceiro caso abordado pela Comissao da Verdade foi o do
militante da Vanguarda Popular Revolucionaria (VPR), Edson
Neves Quaresma. Ele era marinheiro e integrava os quadros da
Associacao de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil.
Com o golpe militar foi preso na Ilha das Cobras em
dezembro de 1964; depois de um ano e dois meses
foi expulso da Marinha e libertado. Passou a viver na
clandestinidade, tendo feito treinamento militar em Cuba.
Voltou para o Brasil em 1970, e foi morto em 5 de dezembro
do mesmo ano.
O militante do Partido Comunista Brasileiro Luiz Ignacio
Maranhao Filho e considerado desaparecido desde
3/4/1974. Era advogado e professor. Em 1945 entrou
para o PCB, tendo sido preso e brutalmente torturado pela
Aeronautica em 1952. Visitou Cuba, em 1964, a convite de
Fidel Castro e ao retornar ao pais foi preso e submetido a
tortura. Ao sair da prisao passa a viver na clandestinidade
e e novamente preso no dia 3/4/1974 em uma praca na
cidade de Sao Paulo, segundo testemunhas.
Apesar do empenho dos familiares e de advogados que
militavam na defesa dos presos politicos, nao foi obtida
qualquer informacao sobre seu paradeiro, os militares
informaram que ele nao estava sob a responsabilidade de seus
comandados. As informacoes sobre estes militantes mortos
pela ditadura foram passadas por Roberto Monte. (PM)

sessao solene

Solenidade em defesa do povo cigano
Da redacao - Foto: Jose Antonio Teixeira

Nesta terca-feira, 3/12, foi
realizado sessao solene no
auditorio Paulo Kobayashi,
por iniciativa do presidente da
Comissao de Direitos Humanos,
Adriano Diogo (PT), do SOS
Racismo e do Centro de Estudos
e Resgate da Cultura Cigana.
O encontro teve o objetivo
de tratar de acoes afirmativas Claudio Celso Monteiro, Adriano Diogo, Marcia Yaskara Guelpa e Rodrigo Tadeu Fernandes
para o povo cigano que vive,
principalmente, na cidade e no Estado de Sao Paulo. Os e sugestoes para que o segmento tenha garantida sua
representantes do povo cigano apresentaram reivindicacoes qualidade de vida sem prejuizo de suas tradicoes.

Ciganas que participaram do ato solene

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